Por Fred Lima
A tarefa do novo chefe da Casa Civil do Governo de Brasília, Sérgio Sampaio, é sair desativando as dinamites que o seu antecessor no cargo ativou durante os últimos seis meses, com a ajuda daqueles que afundaram Brasília na gestão passada, ou seja, os petistas. A tarefa já é dificílima, mas não bastasse isso, a turma de Doyle vem querendo emplacar nomes até no primeiro escalão do governo.
Tramoia nos bastidores
O negócio está acontecendo mais ou menos assim nos bastidores: pessoas competentes que entraram no governo com Rollemberg – sim, existem! – não puderam até então mostrar todo seu potencial porque o ex-chefe da Casa Civil centralizava todas as decisões em si, agindo de forma arbitrária e inibindo o desempenho de cada um. Agora que Hélio saiu do cargo, o que abriu a oportunidade para outros demonstrarem seus talentos, sem temer interferências, ele e suas viúvas trabalham para retirar tais funcionários, alegando que são incompetentes. Doyle e suas viúvas são um caso muito sério para qualquer governo.
Bem intencionado, mas mal aconselhado
Já cansei de dizer que o governador Rodrigo Rollemberg é bem intencionado, mas muitas vezes dá ouvido a quem não deve. Precisa criar um grupo de conselheiros que não tenha ligação com Doyle ou com o grupo da gestão passada que, infelizmente, ainda permanece no governo. Caso contrário, as dinamites do ex-chefe da Casa Civil poderão “explodir” o Palácio do Buriti.
Sampaio: luz no fim do túnel
Por que em vez de ficar ainda dando ouvidos ao Hélio e seu grupo, o governador não começa a ouvir mais o lúcido Sérgio Sampaio, que está há anos-luz de sensatez e sobriedade do ex-chefe da Casa Civil? Tenho certeza que Sampaio, com seu bom senso, tem certa noção de quem é ineficiente no governo e quem estava sendo inibido.
Exemplo de quem deve sair e ficar
A Secretaria de Saúde é um exemplo de ineficiência. O secretário está perdido no cargo, sem saber por onde começar. A desculpa esfarrapada levantada por Doyle recentemente em sua conta no twitter de que estão tentando derrubar João Batista apenas para verem o caminho aberto para práticas corruptas, não cola. O secretário não nasceu para ser gestor da Saúde. É um teórico bem intencionado, mas que perdeu o comando da pasta, mesmo tendo certa liberdade para atuar. Já a área de Comunicação, engessada por Doyle, necessita ter vida própria. Ricardo Callado é um jornalista muito competente e de ótimo trânsito entre a mídia local. Seu trabalho estava restrito ao crivo de Doyle, que assim como fez com todo o governo, inibiu uma das áreas mais importantes do Buriti, com seu vício de centralização e a velha mania de ser perseguido pela imprensa. Não dá pra avançar em uma pasta tendo como superior uma pessoa com tal perfil. Nem o grande Benjamin Bradlee (ex-editor executivo do Washington Post) conseguiria fazer alguma coisa.
Errar é humano. Já permanecer no erro…
Ficar ainda paparicando Hélio Doyle por meio de elogios, como Rollemberg fez ontem (18) na posse de Sampaio, não é nada inteligente, até porque o ex-secretário está contribuindo com suas recentes declarações para uma crise institucional entre o Executivo e o Legislativo local. O ex-chefe da Casa Civil arrasou o governo, promovendo um apagão de gestão em diversos setores. A crise financeira é grave, mas a presença de Doyle também era um risco institucional –continua sendo –, como uma dinamite que a qualquer momento pode explodir na cadeira do governador.
Para concluir, se Rollemberg quiser que seu governo funcione, que deixe Sérgio Sampaio e outros funcionários eficientes desativar as dinamites doylistas, e não abrir o caminho para outras mais serem ativadas.
Fonte: Redação.
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